Marido, marido, negócios à parte?



Por Ana Paula Marques
Fonte: Revista Mulher Executiva/ed.4

O ambiente corporativo é um local favorável ao surgimento de possíveis amores, onde muitos pares acabam se formando. Em outros casos, casais que se conhecem fora do emprego se arriscam a abrir um negócio juntos depois de casados. Mas para que trabalho e amor deem certo, é preciso aprender a não misturar carreira e vida pessoal.

Os conflitos mais comuns e praticamente inevitáveis surgem quando um dos cônjuges recebe uma promoção e o outro não, quando apenas um dos dois tem acesso a uma informação privilegiada e até mesmo sigilosa, ou quando as opiniões divergem sobre questões referentes ao negócio em conjunto. O contrário também pode ocorrer. As brigas em casa se refletem no profissional e acabam escancaradas para os colegas ou funcionários da empresa.

A carioca Ana Cláudia Bessa, de 38 anos, que o diga. Bacharel em química e microempresária, Ana Cláudia é idealizadora da Futuro do Presente, uma loja virtual de camisetas infantis e produtos ecológicos. Hoje está feliz da vida com os projetos profissionais e com o casamento atual, mas nem sempre foi assim. Ana Cláudia não teve uma boa experiência ao trabalhar com o ex-marido. Quando se casou pela primeira vez, aos 19 anos, ela e o ex-companheiro abriram uma empresa de transportes. “No início fazíamos tudo sozinhos, até dirigir as vans. À medida que a empresa foi crescendo, aumentamos a frota e contratamos funcionários. Mas não é nada fácil administrar uma empresa, fazê-la crescer e voltar para casa no final do dia junto com a mesma pessoa que passamos o dia todo”, pondera Ana Cláudia.

As dificuldades apareceram e o casal começou a discordar em quase tudo. “O trabalho exigia muito de nós dois e era muito comum discutirmos os problemas da empresa em casa. Não sabíamos respeitar a fronteira entre ambiente familiar e empresa, o que desequilibrou a relação. O casamento não terminou por este motivo, mas tudo isso contribuiu para a separação”.

Os desafios profissionais precisam ficar no trabalho

Para a especialista em recrutamento e seleção, Margot Nick, gerente de projetos da Kienbaum Consultants International, os desentendimentos surgidos no trabalho devem permanecer neste e os desentendimentos do lar, idem. “A convivência ininterrupta é sempre difícil, e é natural o casal levar assuntos da profissão para casa. É preciso ter equilíbrio e saber a hora certa de mudar o rumo da conversa quando necessário.”

Ter momentos de independência, nos quais cada um possa fazer o que bem entende sem os palpites do parceiro, também são importantes. “Por passarem muito tempo juntos, marido e mulher sabem tudo um do outro e, sem novidades, sem assuntos novos pra falar no final do dia, a relação fica sem graça e cai na rotina mais cedo”, ensina Margot Nick.

Ana Cláudia concorda. “O ruim de trabalhar com o companheiro é que os dois sofrem os mesmos problemas, têm o mesmo desgaste emocional, o mesmo estresse. É preciso ter uma maturidade que eu e meu ex-marido não tínhamos. Éramos muito jovens e inexperientes em todos os aspectos”.

Veja na próxima página como o "parceiro de cama" pode dar um bom parceiro de negócios




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