“70% dos pacientes de redução de estômago voltaram a engordar”, diz médico

Especialista afirma, ainda, que metade de seus pacientes são pessoas que tornaram a ser obesas mórbidas mesmo depois da cirurgia bariátrica Cresce o número de pacientes que precisam refazer a cirurgia bariátrica. Os motivos vão desde erros na técnica até descuido dos operados, que não seguem um cardápio adequado e não praticam atividade física.   A redução do [...]
Por Redação

Especialista afirma, ainda, que metade de seus pacientes são pessoas que tornaram a ser obesas mórbidas mesmo depois da cirurgia bariátrica

Cresce o número de pacientes que precisam refazer a cirurgia bariátrica. Os motivos vão desde erros na técnica até descuido dos operados, que não seguem um cardápio adequado e não praticam atividade física.

 

A redução do estômago parece ser a solução mais fácil para os obesos mórbidos. Engano. Além da técnica ser complicada e de recuperação difícil, o paciente precisa mudar seus hábitos para não voltar a engordar.

A cirurgia é feita há 20 anos no Brasil. Claro que ela foi se aperfeiçoando, mas não livra o paciente de ganhar todo o peso perdido após a operação. Como a cirurgia é relativamente nova, agora os sinais de erros estão aparecendo e muitos pacientes que fizeram a operação há anos voltaram a ganhar peso.

O cirurgião Nilton Kawahara, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), diz que a grande maioria dos pacientes que se submeteram às técnicas antigas como, por exemplo, gastroplastia vertical com anel voltaram a ser obesos. "Cerca de 70% dos pacientes que foram operados após cinco anos voltaram a ganhar peso, muitos destes voltaram a ser obesos ou desenvolveram doenças associadas ao excesso de peso, tendo necessidade de novas cirurgias", explica dr. Kawahara, especialista em cirurgia da obesidade. "De todos os pacientes que nos procuram, 50% deles são para refazer operações - na maioria mulheres -, que foram submetidos a técnicas incorretas e atualmente retornaram a ser obesos mórbidos", atesta o médico. "Cerca de 25% destes pacientes foram submetidos a métodos inadequados e o restante não seguiu as orientações da equipe multidisciplinar como dietas, atividades físicas e apoio psicológico", relata ele.

Atualmente, as técnicas de cirurgia bariátrica que têm registrado mais êxito são o bypass gástrico e o duodenal switch. "No bypass gástrico é realizado um grampeamento no estômago onde é criada uma pequena bolsa estomacal. O restante do estômago não é removido, mas é completamente grampeado e dividido da bolsa estomacal pequena. A saída dessa nova bolsa estomacal esvazia diretamente no intestino delgado, portanto diminui a extensão de intestino que absorve as calorias. Isto é feito através da divisão do intestino delgado e uma nova reconstrução deste, que será conectado à nova bolsa estomacal. O bypass é indicado para aproximadamente 80% dos pacientes com obesidade mórbida e o resultado é perda de 30 a 40% do peso inicial em um ano", explica Kawahara.

Outro método de redução de estômago muito utilizado para os pacientes que foram submetidos às técnicas impróprias, segundo dr. Kawahara, é o duodenal switch, que consiste na redução parcial do estômago (150 a 300 ml), através do grampeamento e retirada da parte excedente do órgão. "Há também o desvio, através do grampeamento, de aproximadamente 90% do intestino delgado e nova reconstrução cirúrgica, conectando o intestino delgado ao novo estômago. Este procedimento é indicado para pacientes com IMC (Índice de Massa Corpórea) maior que 50 e o resultado é a perda de 40% a 50% do peso inicial em 18 meses", complementa o médico.

 

Segundo o cirurgião, as técnicas destinadas a diminuir a área do estômago ou dificultar a absorção das gorduras trouxeram uma perspectiva de real diminuição de peso. Porém, é preciso muita cautela para operar esses pacientes. Um estudo científico recentemente divulgado nos Estados Unidos mostrou que obesos mórbidos submetidos à cirurgia podem sofrer uma espécie de lesão irreversível nos nervos periféricos, se não forem bem acompanhados no pós-operatório devido a deficiência de vitamina do complexo B. Essa intervenção na fisiologia da digestão é de grande impacto, mas a cirurgia por si só não decreta o fim da obesidade mórbida.

Confira as dicas

Nilton Kawahara aponta alguns detalhes que os pacientes da cirurgia devem prestar atenção quando procurarem um médico:

- Para tornar-se um ex-obeso mórbido, é fundamental escolher um cirurgião bariátrico capacitado, experiente e qualificado para realizar a cirurgia de redução do estômago. Após a escolha, o especialista irá solicitar uma série de exames pré-operatórios, além da consulta com a equipe multidisciplinar que inclui psicólogo, nutricionista, endocrinologista e psiquiatra quando necessário. Feito isso, o especialista irá definir qual a melhor técnica cirúrgica para cada paciente.

- Logo após a cirurgia, o paciente precisa mudar definitivamente duas regras básicas: a quantidade de alimentos que será ingerida e velocidade da ingestão alimentar. Todo alimento terá que passar por mastigação cuidadosa. O consumo de bebidas alcoólicas e gasosas bem como a ingestão de doces e petiscos industrializados deve ser bem controlada.

- Refeições regulares, fracionadas e em pequeno volume são recomendáveis.

- É possível comer bem, mas não excessivamente e de uma única vez. O paciente operado deve ser acompanhado a longo prazo para avaliação da perda de peso e das possíveis dificuldades com alimentação. É preciso orientá-lo para que ele não tenha “medo” de comer

- Cabe ao médico verificar a necessidade eventual de suplementação nutricional, que deve ser feita para evitar deficiências causadas pela adaptação ao novo padrão alimentar e para prevenir quadros clínicos como náuseas, queda de cabelos e fraqueza generalizada. A perda do excesso de gordura busca repor um padrão de saúde perdido pelo obeso mórbido, de modo que ele possa emagrecer passando muito bem.

 

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