Terminar um namoro

Ah, mês dos namorados! Vamos comemorar às avessas pensando em qual seria a melhor forma não de começar, mas de terminar um relacionamento? Como diriam as crianças no foguetinho do Silvio Santos: Siiiiiiiim!     Por Stella Florence Dar um fora é desagradável. Receber um fora é desagradabilíssimo. Até aí estamos de acordo. Falta de consideração. É isso o [...]
Por Redação

Ah, mês dos namorados! Vamos comemorar às avessas pensando em qual seria a melhor forma não de começar, mas de terminar um relacionamento? Como diriam as crianças no foguetinho do Silvio Santos: Siiiiiiiim!

 

 

Por Stella Florence

Dar um fora é desagradável. Receber um fora é desagradabilíssimo. Até aí estamos de acordo. Falta de consideração. É isso o que dizem a respeito de quem dá um fora por telefone, MSN ou e-mail: que falta de consideração! Vamos, então, colocar o ultraje de lado e examinar bem o assunto.

Se você chegou à conclusão de que não quer mais permanecer numa relação amorosa com aquele gajo ali, o que pode fazer com que você mude de idéia? Nada. Ameaças podem te amedrontar, lágrimas podem te comover, pedidos desesperados podem te constranger, mas nada disso terá a capacidade de mudar seus sentimentos para com aquela pessoa.

Se você se sentir intimidada, pode, a contragosto, ceder ao seu desejo de separação e esticar um pouco mais um relacionamento que já está agonizante - atitude perversa para ambos. Então, se basta que um dos dois não queira continuar para que o romance, em sua essência, esteja acabado, se o fim, portanto, se tornou inevitável, qual a utilidade, a verdadeira utilidade, de exigir que o fora seja dado olho no olho?

Em duas palavras: constrangimento e vingança. Nesse momento, o outro quer te forçar a permanecer na relação, mesmo que essa não seja a sua vontade; nessa hora, ele (ou ela) quer afastar a dor pungente do abandono a qualquer preço. Caso você finque o pé e insista em cair fora, aí entra a vingança.

Cara a cara, ele tentará fazer com que você se sinta mal o suficiente, culpada o suficiente, calhorda o suficiente para não dormir bem, pelo menos, aquela noite. Ele precisa te impor nem que seja um naco do sofrimento que o atinge. Ah, o amor não é mesmo lindo?

A tal consideração, o tal face a face, que se evoca ao terminar um namoro esconde os desejos reais daquele que está prestes a ser abandonado: em primeiro lugar, retardar o abandono com qualquer arma que esteja ao seu alcance e, se isso falhar, expor seu sofrimento como forma de vingança.

Eu não sei os outros, mas eu, quando vou levar um fora, prefiro mil vezes estar atrás de um computador (onde vozes embargadas e apelos desesperados não são ouvidos) a encenar o monólogo da minha humilhação num palco esplêndido. Nesse caso, o espectador, o único que me interessa, jamais, jamais me aplaudiria.

 

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