Saindo do armário



Por Ana Luiza Ribeiro
Fonte: Revista Zero/ed.12

Yes

- Para o psicoterapeuta sexual Alessandro Ezabella (SP), o maior problema que se pode encontrar nesta situação é, realmente, o preconceito enfrentado: “Vivendo em uma sociedade predominantemente heterossexual, qualquer forma de expressão da sexualidade que não corresponda aos ideais dela podem ser malvistos. E aí surgem grupos ideológicos afirmando que a homossexualidade é uma doença, um crime, uma perversão, etc.”. Portanto, é preciso muita segurança e coragem para enfrentar os obstáculos.

- A comunidade LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Transexuais) tem um posicionamento político-ideológico de combate à homofobia. Sendo assim, Alessandro acredita que, para eles, uma pessoa que decide não se assumir é “alguém que não se preocupa ou não se importa com os direitos dos homossexuais”.

- Continua aguardando aprovação no Senado o projeto de lei 122/2006, que pretende rever a lei 7.716, de 1989, e incluir nela que atividades preconceituosas contra homossexuais também sejam consideradas crime, assim como as raciais.

No

- Novamente, o problema continua no preconceito: “A imagem estigmatizada do homossexual masculino é do homem afeminado e debochado, enquanto a do feminino é da mulher ‘masculinizada’, que fala grosso, pisa duro e possui traços andróginos. Além disso, não é raro que muitos associem erroneamente a homossexualidade com a promiscuidade, uma vez que o ato sexual não tem um  fim procriatório”, explica o psicólogo. Então, se você acha que não consegue lidar com as pressões, melhor não arriscar.

- Alessandro ainda conta: “Uma pesquisa sobre homofobia e diversidade sexual da Fundação Perseu Abramo com 400 pessoas da comunidade LGBTT mostrou que 59% deles já sofreram preconceito devido à sua orientação sexual, enquanto 47% deles já passaram por algum tipo de violência (verbal, moral ou psicológica)”.

- Por fim, ele cita Drummond: “O que se passa na cama é segredo de quem ama”. Não acha que é necessário se assumir publicamente? Então não assuma. “Até que ponto alguém tem a obrigação de assumir sua orientação sexual perante a sociedade? Esse questionamento vem de uma reflexão sobre a necessidade confessional que se instaurou na nossa sociedade a partir de leituras da obra História da Sexualidade, de Michel Foucault”. O importante, então, é você assumir para você mesma e ser feliz.




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