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Por Alessandra de Paula
Fonte: Bolsa de Mulher
Foto: Getty Images
Está pensando em comprar uma casa, um carro ou mesmo um caminhão?
Antes de correr atrás de financiamento, informe-se sobre consórcios.
O especialista em investimentos Nelson Campos explica o que é essa ótima opção na hora de adquirir um bem durável.
"Consórcio é um grupo que se reúne, normalmente pessoas físicas, para formar uma poupança e adquirir um bem a médio ou longo prazo. Consórcio não cobra juros, diferente de outros financiamentos que cobram taxas de juros e IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A forma de adquirir o bem pode ser por sorteio ou por lance - a pessoa pode juntar uma quantia em dinheiro e dar um lance, mas o lance não pode ser inferior a 10% do valor do bem. Por exemplo, se o consórcio é de um carro de R$ 50.000, não posso dar um lance inferior a R$ 5.000", diz Campos, diretor da empresa Paissandu Investimentos.
No caso de ser sorteado, o consorciado ganha uma carta de crédito, um documento representativo do valor disponível para a aquisição do bem. "Uma das vantagens do consórcio é que ele não exige comprovação de renda, o que permite que pessoas na informalidade possam fazer um consórcio sem problemas", explica Nelson Campos.
Foi justamente a ausência de juros que atraiu a fisioterapeuta Natasha Guimarães Moreira. Depois de morar alguns anos no exterior, ela voltou para o Brasil e quis comprar um carro, mas achou muito altas as taxas cobradas pelos financiamentos.
"Fiquei assustada quando fiz as contas e percebi que no final do financiamento ia pagar muito mais pelo carro. Pesquisando, descobri que o consórcio poderia ser uma opção mais atraente, já que eu poderia juntar dinheiro para dar o lance ou esperar para ser sorteada. Fiz um consórcio de 60 meses de um Fox e pago por mês R$ 455. Estou satisfeita e penso até em fazer mais consórcios no futuro".
Consórcio X Financiamento
Para quem planeja fazer a compra a longo prazo, como Natasha, o consórcio realmente pode ser uma boa alternativa. Já o financiamento exige parcelas mais altas, no entanto garante a data da mudança para a casa nova ou a aquisição do carro. Os interessados devem avaliar suas necessidades antes de optar por um ou outro.
Quem decidir pelo consórcio tem mais poder de negociação, uma vez que a carta de crédito vale como dinheiro vivo. Desta forma, o cotista tem condições de negociar o valor do bem e obter descontos. Quem escolhe o financiamento entra na casa nova mais rápido, mas fica refém das condições impostas pelo vendedor.
A jornalista Luciana Medeiros é um exemplo de como precisamos estar certos do que queremos na hora de aplicar o dinheiro em um projeto, seja ele qual for. Em 2001, ela fez um consórcio pelo grupo Rodobens para comprar um imóvel de R$ 70 mil, pagando parcelas mensais de R$ 1.190. Pouco meses depois de assinar o contrato, apareceu uma ótima oportunidade de comprar um apartamento através de um financiamento.
E aí, o que fazer?
"Tentei negociar com o grupo do consórcio, mas eles foram inflexíveis e o dinheiro só será devolvido em 2012, descontadas todas as taxas, ou seja, não vou receber quase nada. Minha dica é: entre só se for ficar mesmo, se não, é perder dinheiro", ressalta. Mesmo assim, a administradora poderia ter sido um pouco mais flexível, não é, Luciana?
O fotógrafo Alziro Xavier tem experiências mais felizes do que a jornalista. Em 1999 ele fez o consórcio de um carro e na segunda prestação foi contemplado. Como o veículo foi roubado, em 2005 ele partiu para o segundo consórcio. Em dezembro de 2008, Alziro deu um lance e já está andando para lá e para cá feliz em seu Fox. "Como carrego um equipamento fotográfico caro, é mais seguro andar de carro. Atualmente pago R$ 686 por mês e faltam apenas nove parcelas para terminar. Se tivesse consórcio de máquina fotográfica, com certeza eu entraria na jogada".
O consórcio não é o tipo de negócio mais procurado, mas atrai um número expressivo de interessados, segundo informações de Antonio Limoni, diretor de consórcio da Caixa Econômica Federal. No primeiro trimestre de 2009, 125 mil pessoas fizeram financiamento de imóveis pela Caixa e 47 mil escolheram o sistema de consórcio. De acordo com Limoni, a crise mundial não deve afetar a área de consórcios. "Até março o mercado se comportou bem. O Brasil ainda tem muita carência de habitação, por isso acho que a crise não vai esfriar o setor", explica.
Para Felipe Ferrera, diretor de operações do Banco GMAC, que faz consórcios de carros Chevrolet, o sistema de consórcios cumpre um papel fundamental. "A modalidade de negócio oferece a uma grande parcela da população a opção de disciplinar uma poupança, planejar a compra de um bem no futuro e diversificar os investimentos. Apesar do consórcio de veículos ser o mais tradicional, já com uma extensa base de clientes, os consórcios de imóveis e de motocicletas vêm apresentando um crescimento consistente nos últimos anos", ressalta.
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