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Xô tristeza!
Livre-se da depressão pós-parto
Por Daniel Batista
Fonte: Bbay & Cia/ed.8
Foto: Símbolo Imagens
 
A maternidade é normalmente
associada à felicidade plena. Trata-se da realização de um sonho que permeia o imaginário da maioria das mulheres desde a infância.
Pouca gente acredita que numa fase como essa podem aparecer sentimentos
perturbadores, como tristeza
permanente e baixo astral. Perder a alegria em atividades simples, que antes davam prazer, como sair para passear ou cuidar da casa, indica que alguma coisa pode estar errada.
 
Causas
Há inúmeros estudos científicos que tratam da questão. Num trabalho recente, um grupo de médicos da USP constatou que o índice de mulheres atingidas pelo problema chega a 20%, isto é, uma em cada cinco grávidas desenvolve algum grau de depressão ou ansiedade. Há vários fatores que podem ser apontados como causas. Os mais comuns são os psicossociais.
 
Dificuldades financeiras estão muito associadas a quadros depressivos, assim como o histórico familiar. A mulher que já viveu episódios de depressão ou que tem algum parente próximo com a doença está mais suscetível. A falta de suporte emocional do parceiro é outro fator de risco importante. No pós-parto existem outras causas. Se o nascimento foi complicado ou se o bebê tem algum problema, o risco de desenvolvimento de depressão aumenta.
 
Sintomas
Os mais comuns em grávidas deprimidas são: tristeza, baixo astral,
falta de ânimo, dificuldade de concentração e insônia. É importante
não confundir preocupação natural com depressão. Quando a doença está instalada, os sintomas são duradouros e persistentes, tendo grande potencial para prejudicar intensamente o bem-estar da mulher. Já a preocupação momentânea tem a ver com fatos ou circunstâncias
específicas. Em situações como esta, alguns sintomas típicos da depressão até podem aparecer, mas passam logo e tudo volta ao normal em pouco tempo.

Diagnóstico
Diagnosticar a depressão na gravidez normalmente escapa ao mais competente dos obstetras. Eles em geral cuidam bem do físico,
mas dão pouca atenção ao psicológico das futuras mães. Muitos
especialistas defendem que o médico tenha outra postura, abrindo mais espaço para a gestante poder falar. Normalmente, tanto no sistema público de saúde quanto na rede privada, o profissional não facilita a expressão
dos sentimentos.
 
Como muitas mulheres sentem vergonha de dizer que estão infelizes, o problema acaba passando despercebido. O papel do parceiro é fundamental. Muitas vezes, é ele quem percebe que a mulher tem depressão, já que ela não nota ou não admite a existência do problema.
 
Tratamento
As modalidades de tratamento são terapia psicológica e, em quadros
mais agudos, uso de medicação leve. Combater o problema pode se tornar uma missão muito difícil. Tanto os médicos quanto as próprias pacientes têm resistência aos antidepressivos. Há o temor de que a saúde da gestante e do bebê seja prejudicada pela droga. Não existe prevalência da depressão
na gravidez ou pós-parto em faixas etárias específicas. Os fatores psicossociais acabam sendo mais importantes e independem da idade da mulher.

Bebê
Diversos estudos científicos mostram que a mãe estar deprimida
aumenta muito o risco de o bebê nascer antes da hora ou com baixo peso. No caso do pós-parto, a mãe que sofre de depressão favorece que o bebê tenha dificuldades emocionais nas primeiras fases do crescimento. Não é raro que em situações como essa, já em torno dos 4 anos, a criança seja hiperativa, agressiva e tenha alguma dificuldade cognitiva.
 
Mandando a tristeza embora
Segundo a psicóloga obstétrica Vânia Solé Botelho, estar bem informada é a melhor forma de evitar a depressão. Quanto mais informação a mãe tiver, mais segura vai estar para lidar com a nova situação. Ter um profissional que tire as dúvidas é essencial.
 
O obstetra, um psicólogo obstétrico ou cursos para gestantes podem ajudar. Se o baixo astral vier depois da chegada do bebê, a rotina da mamãe deve ser reavaliada. “É preciso encontrar a razão do desgaste e organizar a rotina de uma forma que se aproxime mais do que ela planejou”, explica a Dra. Vânia. Aliando essas medidas ao apoio da família e do pai da criança, a mulher pode mandar embora a depressão.
 
Saiba mais
- Tristeza, baixo astral, falta de ânimo, dificuldade de concentração e insônia permanentes são sinais de depressão na gravidez ou pós-parto;
 
- Dificuldades financeiras, falta de suporte do parceiro e insegurança em relação ao futuro estão entre as principais causas;
- As modalidades de tratamento são terapia psicológica e, em casos mais agudos, uso de medicação leve

 
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