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Mitos sobre gravidez
Descubra as verdades e as mentiras sobre as crenças populares relacionadas a gestação
Por Luana Martins
Fonte: Bolsa de Mulher
Foto: Getty Images

Barriga pontuda é sinal de menino. Desejos não atendidos? O bebê vai nascer com a marca do que foi desejado. Passar embaixo de varal, nem pensar: a criança nascerá com o cordão umbilical amarrado no pescoço. Quando a gente está grávida não faltam superstições e palpites.

Para diferenciar verdades de crendices pedimos ajuda a dois especialistas: ao Luciano Patah, coordenador da equipe de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Sepaco, em São Paulo. E à Patrícia Davidson, especialista em nutrição clínica funcional e sócia-diretora da Nutconsult. Afinal, no que a gente pode acreditar?

Divirta-se com os 15 mitos mais famosos da gestação. São eles:

1. Grávida não deve praticar sexo nem fazer exame preventivo pelo risco de machucar o bebê.

"Muito pelo contrário, a mulher grávida não pode deixar de fazer o exame. É uma questão de saúde e não há risco de ferir o bebê - ele está envolto na bolsa amniótica", garante Luciano. O mesmo se pode dizer da prática sexual. "Com autorização do obstetra, o sexo pode e deve ser feito na gravidez. Não há nenhuma possibilidade do pênis atingir o bebê", afirma o ginecologista. Vale lembrar que também não há posição sexual adequada. "Elas devem ser escolhidas de acordo com a maior comodidade da mulher", aconselha Luciano Patah, coordenador da equipe de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Sepaco, em São Paulo.

2. Comer chocolate durante a gestação provoca cólicas no bebê.


"De fato, o chocolate ingerido pela mãe pode provocar cólicas na criança, mas no recém-nascido e não no feto", esclarece Patrícia Davidson, especialista em nutrição clínica funcional e sócia-diretora da Nutconsult. Ainda assim, seu consumo durante a gestação não é recomendado. "Ele não deve ser consumido à vontade porque é rico em açúcares e gordura - componentes que não são bem-vindos em uma alimentação saudável", adverte a especialista. Durante a amamentação, além do chocolate, a mulher não deve ingerir refrigerantes de cola e café. "São alimentos altamente nocivos ao aparelho digestivo dos pequenos", explica Patrícia.

3. Barriga grande é sinal de bebê alto. E crianças compridas só devem nascer de cesariana.

"Essa correlação entre o tamanho do feto (mais especificamente o tamanho do útero) e o tamanho da barriga existe realmente. Entretanto, em mulheres obesas, essa correlação fica difícil de ser observada", confirma Luciano. Quanto à criança grande ter que vir ao mundo por cesárea, o obstetra desmistifica: "O que determina o parto não é o tamanho do feto, mas a proporção entre ele e a bacia da mulher. Se não houver desproporção nessa relação, o tamanho do bebê não deverá ser o fator determinante do tipo de parto".

4. Durante a gravidez, a gestante deve comer por dois.

"O bebê não precisa da mesma quantidade de nutrientes que a mãe, por isso, não é necessário dobrar a alimentação", explica Patrícia. Segundo a especialista, a grávida precisa apenas de 300 a 500 calorias adicionais em sua dieta: "O ideal é que ela tenha um ganho total de peso, durante a gravidez, de até 12 quilos, salvo situações especiais como obesidade e hipertensão". Além disso, o ganho excessivo de peso é altamente prejudicial à mãe e ao bebê. "O peso exagerado em curto espaço de tempo pode ocasionar, entre outras complicações, diabetes gestacional, aumentando as chances do bebê nascer com peso elevado, de ocorrer hipertensão e até parto prematuro", alerta Patrícia.

5. Durante a gravidez os dentes ficam mais frágeis e tendem a formar cáries.

Está comprovado que costuma haver um aumento na formação de cáries durante a gestação, mas por outros motivos: "Costuma ocorrer porque a mulher tende a comer mais e em horários fora das refeições, esquecendo, muitas vezes, de escovar os dentes logo em seguida", esclarece Luciano. "No entanto, se houver cuidados adequados com a higiene bucal, não haverá problemas", completa o especialista.

6. Se a mulher não comer o que tem vontade, o bebê nascerá com uma marca parecida com a comida.

"Não há nenhuma relação entre desejos e marcas nos recém-nascidos. Eles são resultados de necessidades no organismo, como a deficiência de algumas vitaminas, cálcio etc", garante Patrícia. "Portanto, um desejo acentuado de gorduras pode indicar uma deficiência no consumo ou no aproveitamento orgânico da gordura consumida", exemplifica a nutricionista.

7. Barriga pontuda é sinal de que nascerá um menino. Barriga redonda, menina.

"Esse é um dos mitos mais difundidos em nossa sociedade, passados de geração para geração. Mas o formato da barriga depende do abdômen da mãe e da posição e tamanho do feto, unicamente", enfatiza Luciano.

8. Ficar sem comer melhora o enjôo.

"Pelo contrário: a gestante não deve ficar muito tempo sem se alimentar porque o estômago vazio secreta ácido gástrico, aumentando o mal-estar. Além disso, ela pode sofrer de hipoglicemia, contraindo diabetes gestacional e ampliando as chances do bebê nascer acima do peso", revela Patrícia. Para driblar os enjôos, a especialista dá algumas dicas: "Pela manhã, dê preferência a alimentos secos como torradas e pão integral e evite o consumo de líquidos na primeira hora da manhã", recomenda Patrícia. "Ao longo do dia, procure ingerir líquidos em pequenos goles (nunca de maneira rápida demais) e evite os muito gelados, pois aumentam o enjôo", acrescenta. E atenção: alimentos doces são bem menos tolerados em grávidas que apresentam enjôo.

9. Um cigarrinho ou um copinho de vinho não faz mal ao bebê.


"Tabaco nem pensar, pois ele é altamente prejudicial ao bebê. Já as bebidas alcoólicas devem ser evitadas ao máximo, mas se houver muita vontade, como numa comemoração, elas podem ser consumidas em pequenas quantidades", adverte Luciano.

10. A mulher deve comer bastante canja, canjica e leite para ter mais leite.

"De forma indireta, esses alimentos até podem contribuir para esse aumento pois, por serem quentes, ajudam a relaxar e, mais tranquila, a mãe tende a produzir mais leite", explica Patrícia. "Mas os elementos essenciais para essa produção são: água, sucos de frutas e água de coco", revela a especialista que indica também o broto de alfafa. "Disponível em alimento ou cápsula, ele aumenta a produção de leite".

11. Exercícios físicos durante a gravidez fazem mal ao bebê.


"Desde que o obstetra permita, os exercícios podem trazer benefícios à grávida. Porém, devem ser praticados sempre com moderação. As melhores opções são as atividades de baixo impacto, como hidroginástica e natação, além das caminhadas leves", aconselha Luciano.

12. A diminuição de pêlos na gestação significa que a gestante terá uma menina. E o crescimento dos mesmos, que será um menino.

"Não há nenhuma relação entre o crescimento de pêlos e o sexo do bebê. A alteração hormonal da gravidez é a única responsável pela formação e queda dos pêlos", garante Luciano.


13. Gestantes não podem ter gatos nem cachorros devendo desfazer-se de seus bichos de estimação.

"Os gatos podem transmitir a toxoplasmose, que é uma doença grave quando ocorre na gravidez. No entanto, a gestante deve consultar seu obstetra sobre a permanência do animal além de mantê-lo sempre bem cuidado e vacinado", recomenda Luciano.

14. A gestante ter muita azia significa que o bebê será cabeludo.

"A azia nada tem a ver com o crescimento do cabelo do feto. Ela é resultado da compressão do estômago e do esôfago pelo útero, provocando um refluxo do ácido gástrico. Quando ocorre no início da gravidez, é consequência do predomínio do hormônio progesterona. A azia pode ter relação com alguns hábitos alimentares da grávida como beber líquido durante as refeições, consumir gordura, cafeína, alto teor de açúcares e outros irritantes da mucosa do estômago", garante Patrícia.

15. Grávida não deve passar por baixo de cercas e varais, senão o cordão umbilical enrola no pescoço do bebê.

"Mito! Não há nenhuma relação nisso", adverte - e diverte-se -, Luciano.

Agora não há mais motivos para medos. Em caso de dúvidas, consulte seu obstetra!



 
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