Fiz cesárea. Posso ter outro filho de parto normal?

Pode sim! Entenda o processo e os riscos
Por Marina Lopes
Fiz cesárea. Posso ter outro filho de parto normal?

Muitas mulheres que tiveram o primeiro filho de cesárea se perguntam se é possível ter o segundo de parto normal. A resposta é sim. Com alguns cuidados e acompanhamento especializado, a gestante pode passar por um parto normal mesmo após duas ou três cesáreas.

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É verdade que os riscos aumentam de acordo com a quantidade de operações previamente realizadas, mas a cesariana também apresenta riscos que não podem ser ignorados.

Riscos do parto normal após cesárea 

De acordo com a obstetriz formada pela USP, Ana Cristina Duarte, o principal risco do parto normal após cesárea (PNAC) é a ruptura uterina. “Caso aconteça uma ruptura, a mulher deve ser imediatamente operada para que o bebê seja retirado e a abertura, fechada. No entanto, vale lembrar que a ruptura uterina também ocorre em mães de primeira viagem, bem como antes do início do trabalho de parto”, esclarece.

Nas raras situações em que acontece a ruptura (aproximadamente 0,5% dos casos) a mulher percebe que há algo errado. A dor aumenta muito e de repente, não diminui entre as contrações e chega a atingir ombros e perto do pescoço. “Nesse caso a equipe deverá estar atenta e efetuar a cirurgia”, ressalta.

Para a especialista, ao realizar mais uma cesárea, o médico está apenas trocando uma taxa de risco por outra: previne a gestante de uma ruptura uterina e a expõe às complicações inerentes a qualquer cirurgia, como infecções e hemorragias.

Contudo, o número de cesáreas prévias aumenta os riscos de ruptura no parto normal. “Como em cada cirurgia o útero é cortado em um local diferente, quanto mais cirurgias, mais cicatrizes uterinas. No entanto a literatura cita com alguma frequência os partos normais depois de duas, três e até quatro cesáreas”, ressalta a obstetriz.

A posição da cicatriz também influencia no sucesso do PNAC. Se o corte da operação for baixo, na linha do biquíni, as chances de complicação são pequenas. Já a cirurgia feita com um corte vertical aumenta o risco de ruptura.

Como evitar a ruptura uterina 

Segundo a especialista, para minimizar os riscos de ruptura uterina o mais importante é evitar o uso dos indutores e aceleradores de parto, como prostaglandina e misoprostol, pois eles aumentam muito a força das contrações. A ocitocina, embora mais fraca, também deve ficar de fora.

Uso de anestesia 

Para Ana Cristina, a anestesia utilizada deve ser a mais fraca possível para evitar efeitos indesejados como perda da força de expulsão e desaceleração do trabalho de parto. Além disso, se ministrada em grande quantidade, pode ser preciso utilizar a ocitocina para corrigir o ritmo das contrações.

Brasil lidera o ranking de cesáreas 

O Brasil é o país que mais realiza cesáreas no mundo, de acordo com a UNICEF. 44% dos partos realizados aqui são procedimentos cirúrgicos, enquanto a entidade recomenda que esse número não passe de 15%. Muitos médicos brasileiros realizam cesáreas sem necessidade, por isso, caso a gestante deseje ter um filho de parto normal, deve procurar um profissional especializado e deixar clara a sua vontade.

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